Sorriso Interior

O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo esse brasão augusto
Do grande amor, da nobre fé tranqüila.

Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsias e sem custo...
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor oscila.

Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe essa glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.

O ser que é ser transforma tudo em flores...
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio!

.........................................Cruz e Sousa.


O soneto "Sorriso Interior" não é apenas belo na forma, mas em seu íntimo traz uma mensagem bastante positiva com relação à existência. Nota-se um certo toque de espiritualidade em todo o soneto, mas especialmente no segundo verso, onde o 'Ser que é Ser' vence 'Os abismos carnais da triste argila'.

De uma beleza ímpar o último terceto, onde a criatura coloca-se acima das próprias dores, a ponto de ironizá-las com o canto.

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